quarta-feira, 26 de julho de 2017

A esquerdofobia da Parrachona - parte II


Como se não tivesse já angariado inimigos de sobra, eis que a Parrachona, nome de guerra de Fernando Duarte Rocha, o cobarde que debita a sua verborreia em nome da sua esposa, a actriz Maria Vieira decidiu embirrar com os U2, e o seu vocalista. E tudo porque este se encontrou com um dos seus ódios de estimação, o presidente francês Emmanuel Macrón, que como se sabe derrotou nas eleições presidenciais a neo-nazi Marine Le Pen, por quem o Nandinho sentia uma grande ponta. E não se ficou por aí, na hora de cascar no bom do Bono:


"Um cretino de cinco estrelas", ao contrário do Nando, que nem uma bola preta leva. E o mundo artístico "está cheio de gente podre de esquerda", como por exemplo...


...Madonna, Robert de Niro, Rihanna, Mickey Rourke, Tom Hanks, e com destaque para George Clooney, como não podia deixar de ser. Tudo gente "de esquerda" (haja dó), que vocalizou a sua oposição a Donald Trump, personagem principal dos sonhos molhados do Nando. Mas espera lá, mas então o que é isto? Como é que eu tenho a certeza que é o marido da Maria Vieira, e não a própria, quem escreve estas barbaridades? Devo ser mesmo parvo.


Então não se vê logo, que a Maria Vieira era uma fã dos U2 desde a primeira hora, desde os tempos dos álbuns "War", "Boy" e etcetera? E o guitarrista da banda, The Edge, "que se mantém discreto e digno", e é "talento puro e duro"? A Maria entende disto como o caraças, pá!


Ganha vergonha Nando. Faz-te homem, seu ser desprezível e rasteiro.


Os abutres


É absolutamente nojento, atroz, inominável, o aproveitamento político que tem sido feito das vítimas do incêndio de há um mês em Pedrógão Grande, Portugal, que custou a vida a 64 pessoas. Primeiro quero deixar claro que uma vítima seria demasiado, e 64 são 64 vezes mais que o demasiado, e claro que terão que ser apuradas responsabilidades, e trabalhar-se no sentido de que algo de semelhante não volte a acontecer. Agora, apurar responsabilidades políticas, partidárias e tudo mais é fazer chicana que não interessa a ninguém. Em Portugal não existe um regime de partido único, e se existisse, quem duvidasse dos números oficiais da tragédia não o fazia pela segunda vez. E nestas alturas que olho para a China e dou comigo a suspirar.


Dos abutres que têm sobrevoado esta carniça, destaque para uma tal Isabel Monteiro, uma empresária que diz que lhe disseram, que lhe contaram, que ouviu dizer que "foram 96 mortos". Até considero que para quem se expõe a este tipo de ridículo, mais valia a pena ter dito que foram centenas, ou mesmo milhares. Esta senhora, que muito provavelmente já não tem sequer cara para sair à rua, devia a ser a última pessoa a pronunciar-se em público sobre seja o que for.


Esta empresária era a cara da Dialectus, uma empresa de tradução, dobragem e legendagem para televisão, que foi declarada insolvente em 2014, e que ficou a dever 250 mil euros aos seus funcionários e colaboradores. Não sou de misturar as coisas, mas quem não cuida dos vivos que estão sobre a sua alçada, que autoridade tem para falar dos mortos? E ainda para mais inventá-los, desta forma tão sabuja e nojenta?


Outro exemplo do desprendimento por tudo o que tem a ver com o bom gosto e dignidade humana é Cristina Miranda, uma co-autora do blogue "Blasfémias", que desde a altura da tragédia não tem feito mais do que usá-la como arma de arremesso político para exigir a demissão do Governo - atenção, não para pedir que faça melhor, ou que faça o possível para evitar uma tragédia semelhante, mas para que se demita. Ora isto leva água no bico, mas para quem se detenha a olhar para a página de Facebook da criatura, entende imediatamente que esta "encomenda" é paga - só pode. Nem a personagem faz mais nada todo o santo dia, senão andar a pedir mais mortos, para servir os interesses dos seus empregadores. Fui-lhe fazer ver a baixeza das suas convicções, mas antes de me bloquear (lógico, ia fazer mais o quê?), atirou-me em cara o seu vasto número de seguidores (9 mil, um sexto do número de seguidores da Maria Leal), e enfim, pelo menos mostrou que ainda lhe resta um pouco de vergonha na cara onde ostenta uma cabeleira azulada. Mas não deixe que seja eu a dizer-lhe aquilo que já sabe muito bem:

Este comentário do blogue "Blasfémias" já tem quase um mês, e é bem demonstrativo daquilo que tem sido o cavalo de batalha da sra. Cristina Miranda. Isto não é mais do que uma forma de prostituição. E não, meu caro Alexandre. O Passos Coelho já veio dizer que aceita a lista dos 64 mortos na tragédia de Pedrógão. Resta saber quem é que paga a esta senhora para insistir nesta pouca vergonha. A mim pouco me interessa, remexer no lixo. Tenham um pingo de decência, e respeitem a dor alheia. Abutres!


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Valores socialistas de raiz



A esquerdofobia da Parrachona


Este foi um momento de enorme inspiração do programa "Donos disto tudo" no mês passado. Uma paródia imaculadamente interpretada pelo actor Eduardo Madeira, que encarna na perfeição a "Parrachona", uma "gémea má" da actriz Maria Vieira, e que lhe "roubou" a página do Facebook. Ora bem, como toda a gente sabe ou devia saber, quem escreve na página da actriz é o seu marido, um indivíduo que dá pelo nome de Fernando Duarte Rocha, um escritor frustrado que não sabe o que é um dia de trabalho há 30 anos, mas que tem uma...lata! Isso, o que mais? Para criticar tudo e todos, e chamá-los de "incompetentes", "parasitas", e "inúteis". Oh, a ironia. A resposta tardou, mas Eduardo Madeira provou da fúria da Parrachona:


Como eu não estou muito por dentro do que se faz em Portugal no que toca à nudez pública das celebridades, precisei de ir saber ao que é que a criatura se referia, e afinal Eduardo Madeira apenas cumpriu duas promessas: no ano passado disse que ia nu para o Marquês de Pombal caso a selecção vencesse o Europeu de futebol, e já este ano prometeu que nadava nu no Tejo se Salvador Sobral ganhasse o Festival da Eurovisão - promessas que cumpriu, como lhe competia. Para a Parrachona, o actor "despiu-se para chamar a atenção", pura e simplesmente. Têm sido frequentes estes truques de manga da parte de Fernando Rocha; ora meias-verdades, ora verdades adulteradas, recurso a factos manipulados, enfim, uma desgraça. As reacções não podiam ser diferentes destas que vamos ver a seguir:


E nem foi preciso editar nada desta sequência de comentários à notícia. São centenas deles, quase na totalidade negativos, intervalados por um ou outro mais cúmplices, que se escudam no "direito à liberdade de expressão" - já lá vamos. Primeiro um facto que tem deixado muita gente desconfiada de que não é Maria Vieira a escrever na sua página do Facebook: a actriz foi em tempos uma militante do Partido Comunista, e assumidamente uma pessoa de esquerda. Isto tem levado muitos a estranhar a súbita "esquerdofobia" que "Maria Vieira" tem revelado nos últimos tempos. Apesar de ter recentemente considerado o presidente Marcelo Rebelo de Sousa "o pior da história", os alvos preferenciais da Parrachona têm sido o actual Governo do PS com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda. Depois de ainda há dois dias ter chamado primeiro-ministro António Costa de "cretino comunista", ontem tivemos isto:


A crise na Venezuela e a contestação ao seu presidente Nicolás Maduro tem sido o grande cavalo de batalha da Parrachona, que não se inibe de tecer comparações absurdas à situação em Portugal. Aquilo que ali está não tem pés nem cabeça, e ontem foi um dia especialmente produtivo nesse aspecto:


Que o cavalheiro senhor marido da Maria Vieira sinta desprezo por comunistas, isso é lá com ele, mas pessoalmente ofende-me que a sua "esquerdofobia" o leve a pintar um cenário dantesco como este que apresenta para o meu país. O governo da chamada "Geringonça", quer se goste, quer não, tem obtido bons resultados. Portugal reduziu o défice para menos de 3%, o desemprego está nos níveis mais baixos dos últimos 20 anos, e a confiança dos portugueses parece estar em alta. É normal que se esgrimam argumentos ideológicos na arena da política, mas comparações com a Venezuela e apelos à "queda do Governo", por amor de Deus. Vai dar uma volta, ó Parrachona.


Este artigo da revista VIP do último dia 18 de Junho tem que se lhe diga. Observem só o fino recorte irónico do mesmo, quando alguém que aparece cedo de manhã na piscina comum do seu condomínio do Monte Estoril para tirar fotografias, e assim dar a impressão que a piscina é só sua diz que "vivemos num país que faz de conta que vive bem". Haja dó. Custa-me ler reacções negativas, insultos e outros impropérios dirigidos à Maria Vieira, quando o autor das entradas polémicas na página do Facebook não são da sua autoria. Sim, a actriz tem quota parte da culpa, por tolerar essa situação, e isso leva-me à questão que referi mais acima: que raio de "liberdade de expressão" é essa  que apregoais, quando alguém usa o nome e a reputação de outra pessoa para fazer passar as suas excrementosas opiniões? Sim, e digo "excrementosas". Ou será que esse conceito pioneiro de "liberdade de expressão" também implica que cada um diga os disparates que muito bem lhe apetece, e os outros só têm que ficar calados e "respeitar". Se isso é "respeito", vou ali e já venho.


Je suis (um bocado) cigano


E para arrancar mais esta semana em grande, deixo-vos com o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Um tema que ainda vai dando que falar lá em Portugal. Santa "silly season".

A grande polémica em Portugal esta semana prende-se com as declarações de um candidato às eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro. O indivíduo, André Ventura de sua graça, é académico, comentador desportivo, e mais recentemente candidato da coligação PSD/CDS à Câmara Municipal de Loures. Ou melhor, era uma coligação, uma vez que o CDS retirou o apoio a Ventura após comentários da parte do mesmo em relação à etnia cigana, supostamente a do concelho a que concorria, e por extensão à restante comunidade residente no resto do país. Segundo o candidato que o PSD não quis deixar cair, “a etnia cigana vive quase toda de subsídios”, e “recusam integrar-se na sociedade”.

Ora claro que isto, e sabemos muito bem, não é de todo verdade. Claro que os ciganos que têm uma vida normal, como qualquer português, nunca são notícia, ao contrário daqueles que preenchem o imaginário criminal do povão: os ciganos vendem droga, assaltam, vivem em casas do estado, invadem as urgências e repartições de finanças, etc., etc..

A comparação em estilo com Donald Trump não é por acaso, e já numa entrada na sua página do Facebook no mês passado, André Ventura tinha escrito isto: “O tempo de dar subsídios a todos sem exigir qualquer responsabilidade vai acabar. O tempo de os nossos impostos servirem para subsidiar marginais tem de chegar ao fim”. De recordar que o candidato ao edil de Loures defende ainda a “prisão perpétua para os delinquentes”, o que a juntar à distribuição justa e equalitária do erário público, são competências que extravazam um mero cargo de autarca.

Há, contudo, como não podia deixar de ser, quem tenha achado que o (ainda) candidato a Loures teve “coragem” e disse “o que muita gente só pensa” ou ainda que tenha “falado as verdades”. Isto mais parece a descrição do bêbado residente da taberna da esquina do que a de um candidato a um cargo político. Aquele discurso não é “corajoso” e muito menos a verdade. É demagogo e populista. O senhor vai resolver os problemas do concelho correndo com residentes desse mesmo concelho, usando como critério a etnia? Meus amigos, aquelas pessoas diferentes de nós que vemos em Portugal, muitos deles já nascidos no nosso país e portugueses como nós, não estão ali por acaso. Somos o tal povo que deu novos mundos ao mundo ou isso só conta na hora de meter sardinhas no bucho a cada 10 de Junho?

Claro que isto me deixa apreensivo, quer como português, quer como pai de um filho mestiço, assim como o são também muitos dos estimados leitores. Investimos na educação dos nossos filhos para que eles consigam competir, singrar na vida e ser cidadãos do mundo, ter horizontes mais largos do que aqueles que Macau lhes proporciona. Tenho a certeza que nos ia doer quase tanto a nós como a eles se tivessem da ouvir boca de ingleses do Brexit ou de americanos trumpistas impropérios do tipo “volta para a tua terra”, ou “se és de Macau, vai para Macau”.

E não, não é uma comparação descabida. Este tipo de comentários não parte da sociedade no seu todo, mas de indivíduos normalmente frustrados ou de mal com a vida, e para estes pouco importa se aquela pessoa diferente dele que se encontra à sua frente está no seu país legalmente, em turismo, se foi convidada, ou até se faz ali falta. É um discurso retrógrado, tóxico e perigoso, de que nada vale contrapor com a boa educação que demos aos nossos filhos ou se lhes ensinámos o respeito pela diferença ou que todos os seres humanos são… humanos. Vão pensando nisso.



sábado, 22 de julho de 2017

Ai o quê?!?!


"I ruin food"? Ou será "I church food"? Já sei: "I St. Paul food"! Ah, deixem para lá...


Macau the special one



Um dos momentos mais altos da última peça dos Doçi Papiaçam di Macau, exibida em Maio último no grande auditório do Centro Cultural. Uma mensagem para o presidente Trampas, intitulada "Macau, the special one". Vale a mesmo a pena assistir a estes seis minutos de grande inspiração.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Humanamente comercial


Este é o aspecto de uma sala de fumo na South Railway Station, em Guangzhou. Um espaço amplo, com motivos comerciais diversos, entre tabaco e utensílios para alimentar o vazio, até uma "vending machine" com soda e sumos, passando por uma funcionária que ia trocando a água dos cinzeiros. Uma óptima forma de aproveitar um espaço, e já agora de tratar os passageiros fumadores como pessoas. Bem hajam!






Em ponto


Estive este fim-de-semana em Guangzhou, e viajei num destes comboios rápidos da CRH, que fazem a viajem de Zhuhai até à maior cidade da província de Cantão em uma hora. Na ida o comboio saiu às 10 da manhã e chegou ao seu destino à 11:08 - exactamente como o programado. Na volta saiu um minuto mais cedo, às 15:59 de Domingo, e chegou a Zhuhai igualmente um minuto mais cedo, às 17:07. Às 4 da tarde estava eu a sair de Guangzhou, e antes das seis da tarde já estava em casa, em Macau. Podem dizer o que quiserem, mas na China os comboios partem e chegam a horas.




Sete dias na Coreia do Norte



Agora que tanto se fala da Coreia do Norte, e novamente pelos piores motivos, gostava de partilhar este vídeo de um vlogger lituano, Jacob Laukaitis, que nos oferece um ponto de vista neutro sobre esse mistério que é o regime dos Kim. Vale mesmo a pena ver, pois são pouco mais de dez minutos, e para quem tinha alguma curiosidade (como no meu caso) pode ser que essa seja finalmente saciada.


Aguenta que é Verão



Para começar a semana, e aproveitando o tempo lastimoso que faz lá fora que dá força às ideais nele contido, nada como o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Apesar das condições climatéricas, desejo a todos uma boa semana, dentro do possível.

O Verão em Macau. Sim, eu bem sei que falo disto todos os anos, mas é incontornável. E é um tema “light”, uma vez que não dá para culpar os governos nem ninguém daquilo que é apenas a culpa da mãe natureza, em suma. É como uma avó de quem gostamos muito mas nos oferece sempre meias horrorosas no Natal, e que nunca vamos usar – a gente gosta dela na mesma. Só que em vez de meias, esta avó, ou mãe ou o que quiserem, dá-nos monções. Ora está um sol e um calor que não se aguenta, ora vinte minutos depois cai um toró de proporções diluvianas. Isto a juntar à humidade relativa na ordem dos 90 e tal por cento, garante-nos uns meses de estio tudo menos secos. Aqui não há seco para ninguém no Verão. Preparai-vos para suar até de lugares que nunca chegaram a imaginar ser possível (isto nos homens é mais verdade). O Verão em Macau não se passa: aguenta-se!

Dou como exemplo a última terça-feira de manhã. Saí de casa perto das 8:30 para dar o meu modesto contributo ao progresso da RAEM, não sem antes verificar pela janela o aspecto do céu, que parecia tudo menos a prometer chuva. Mas eis que cinco minutos depois de por o pé na rua, dou comigo a guardar os óculos de sol, e a procurar a varanda mais próxima para me abrigar da chuva. Deu para me safar apenas todo molhado, em vez de encharcado até aos ossos (como também já aconteceu), quando cheguei ao trabalho, altura em que não só já não chovia, como ainda fazia um sol radioso. Ninguém diria que esteve a chover cinco minutos antes.

Umas das desvantagens da chuva são os guarda-chuvas, coisa que detesto usar, e só o faço em caso de não ter outra opção. Não me importo que me caiam umas gotas de uma chuvinha molha-parvos qualquer. Eu não tenho medo da água, tomo banho todos os dias. O nosso corpo é composto por 70% de água. E não é só quando chove que se abrem os guarda-chuva, pois o sol também é um elemento que a população local teme especialmente, porque os deixa com a tez escura. Que horror! E à conta disto não é raro o dia em que tenho que me fazer à luta, suportando os varões alheios no rosto, arriscando-me a ter uma vista fisgada, enfim, ai o sol, ai a chuva, ai tudo.

E finalmente há o impacto do Verão na moda. Em Macau nada é moda entre Junho e Setembro. Estes meses foram guardados para a não-moda. Ele é as sandálias com meias, as capas de chuva de plástico transparentes, as botas de borracha com Hello Kitties, as meias pretas de senhora naqueles dias de fumeiro, e isto para não falar outras vez dos malditos guarda-chuvas. Andar com um sol abrasador e de guarda-chuva na mão nem chega perto de ser “british style”. É simplesmente parvo.

Mas pronto, e por quê não bazar antes daqui para fora? Por que temos que trabalhar, ora essa! E onde vamos passar o fim-de-semana? Onde houver ar condicionado, onde mais? Se me estou a queixar? Nada disso, é tão agradável. É só preciso aprender a aguentar.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

A cova (RACISMO!)


Pára já tudo, chegou...O RACISMO!

Em Portugal não se tem falado de outra coisa toda a semana: o alegado racismo da parte dos agentes da PSP de Alfragide, junto do problemático bairro da Cova da Moura. Digo "alegado" porque é disso mesmo que se trata. Os agentes foram indiciados pelo Ministério Público de vários crimes, e são inocentes até que esses crimes fiquem provados, e o juiz da sede do último recurso diga que são culpados, caso seja esse o desfecho. Isto tem dado pano para mangas, pois os factos ocorreram em Fevereiro de 2015, chegou a ser aberto um processo que viria a ser arquivado, mas o SOS Racismo interveio, pedindo a reabertura do mesmo. Após subsequente investigação e o aparecimento de novas provas,  o MP indiciou a esquadra inteira de vários crimes, e de imediato se levantou o debate sobre o "racismo" e  - pasme-se - um tal de "racismo inverso". Bom, mas antes disso, passemos então aos FACTOS.


A agora infame esquadra de Alfragide, onde aconteceu...RACISMO!

O que se segue é um relato dos factos que levaram à acusação feita aos agentes da PSP da esquadra de Alfragide, publicado na segunda-feira no Diário da Notícias. Um trabalho notável da jornalista Valentina Marcelino, que podem ler aqui na íntegra, mas da qual destaco as seguintes passagens:

Tudo começou com a detenção, que o MP concluiu ter sido arbitrária e violenta de um jovem (não na sequência do apedrejamento por parte deste contra uma viatura da polícia, como contou a PSP), Bruno Lopes, no bairro, levado para a esquadra pelas 14.00 do dia 5 de fevereiro de 2015. Ao contrário do que foi descrito nos autos de notícia da PSP, Bruno não resistiu à detenção nem agrediu os polícias. Tal como contou, estes encostaram-no a uma parede, de braços e pernas abertos e disseram-lhe "estás a rir de quê, macaco? Encosta-te aí à parede!". De seguida espancaram-no violentamente e caiu no chão a sangrar da boca e do nariz.

Sendo conhecido da Associação Moinho da Juventude, uma instituição que desenvolve vários projetos de inclusão social no bairro, foram alertados amigos, entre os quais Flávio Almada e Celso Barros, conhecidos, até pela polícia, por serem ativos mediadores desta associação. Seis deles (não 20 a 25, como contou a PSP) dirigiram-se à esquadra para saber da situação de Bruno. O MP diz que, sem que fossem provocados, os agentes começaram a agredir os jovens, arrastando-os para a esquadra enquanto gritavam palavras de ódio racial. Dois deles ainda conseguiram fugir por entre as estreitas ruas do bairro. Ficaram Flávio, Celso, Paulo e Miguel. Um quinto elemento, Rui Moniz, que estava nas imediações, a sair de uma loja de telemóveis ao lado da esquadra, acabou por ser também arrastado para dentro pelos polícias. Um dos agentes, apontando para Flávio Almada, exclamou para os seus colegas: "Apanhem aquele que tem a mania que é esperto", indo atrás dele e espancando-o com o bastão.



Flávio Almada, uma das vítimas de...RACISMO!


Este é o tal que "tem a mania que é esperto", segundo o tal agente menciona no relato dos factos. Não sei bem se "tem a mania", pois este Flávio Almada não é "um preto qualquer". Segundo o seu perfil no Facebook (as páginas amarelas para as pessoas do século XXI), é licenciado em Humanidades e Tecnologia pela Universidade Lusófona, e realiza trabalho social junto dos jovens do bairro da Cova da Moura através da tal associação referida no artigo, o que é algo de louvar. E penso que todos concordarão com isso. Mas há mais, e não é nada bonito:

Algemados, foram atirados para o chão da esquadra. "Vão morrer todos, pretos de merda!", ouviram dizer a um dos polícias. Pontapés em todo o corpo, socos, bofetadas, incluindo na cabeça, pisadelas, tiros com balas de borracha. Rui Moniz, que teve um AVC aos 9 anos e sofre de uma paralisia na mão direita, gritava por ajuda, mas ainda era mais agredido. Gozando com a doença, um dos agentes quis humilhá-lo: "Então não morreste (do AVC)? Agora vai dar-te um que vais morrer. Ainda por cima és pretoguês filho da puta!" Bruno, Flávio, Celso, Rui, Miguel e Paulo estiveram detidos dois dias.


Durante esse tempo, sustenta o MP, foram humilhados, vítimas de enorme violência física e psicológica por parte de agentes da autoridade dominados por sentimentos de xenofobia, ódio e discriminação racial. "Não é nada comigo", respondeu uma agente a quem Rui Moniz suplicava que o salvasse. Outro agente dizia, apoiado pelos colegas, olhando para os seis jovens do chão: "Não sabem como odeio a vossa raça. Quero exterminar-vos a todos desta terra. É preciso fazer a vossa deportação. Se eu mandasse vocês seriam todos esterilizados." Ou, como contaram ainda os jovens, declarava outro agente: "É melhor irem para o ISIS", "vocês vão desaparecer, vocês, a vossa raça e o vosso bairro de merda!".

Só no dia 7 de fevereiro os jovens foram presentes ao juiz de instrução criminal. Regressados à esquadra, quando aguardavam pelos bombeiros e o INEM, finalmente chamados, para os conduzirem ao hospital, ainda assistiram a uma última cena, que ficou registada pelos investigadores: uma subcomissária de serviço, com o objetivo de esconder vestígios do sangue provocado pelas agressões, pegou numa esfregona e limpou o chão manchado de vermelho.


A Cova da Moura, "mothership" de todo este...RACISMO!

Ora bem, todos aqueles factos, a serem comprovados, são gravíssimos. Houve quem não tivesse o cuidado de ler tudo aquilo com atenção, e desatasse a fazer juízos diversos, na maioria inspirados na má fama que o bairro dos arredores de Lisboa leva, e foram referidos outro casos em que agentes da autoridade são mal recebidos e até por vezes agredidos na Cova da Moura. Andei estes dias a reflectir sobre isto, e a ler o que outros pensam do assunto, e não tenho dúvidas quanto ao lado da barricada que devo tomar. Para melhor ilustrar, reproduzo aqui e com a devida vénia, parte de um comentário do meu amigo facebookiano Miguel Andrade:

Só quem está disponível para tolerar abusos xenófobos é que pode condescender relativamente à actuação policial na esquadra da Amadora, invocando como justificação ou comparativo as agressões diárias que as forças de segurança sofrem no exercício da sua actividade.


A PSP faz bem em não pactuar com...RACISMO!

Nem mais. Isto não é nada contra as autoridades e as forças de segurança, de quem os cidadãos precisam, que os cidadãos pagam com os seus impostos (detesto este argumento, mas tecnicamente é verdade) e devem ter deferência para com TODOS os cidadãos. Eu quando era miúdo e via um polícia, sentia-me seguro. Quando tinha 9 anos e entrei na esquadra da PSP do Montijo para entrevistar um sr. agente para um trabalho da escola, encontrei a gente mais simpática no local que me parecia o mais seguro do mundo. Deixem-se lá de merdas e de "racismos" e dessa porcaria, que os portugueses não são assim, o nosso país não precisa disto. Sim, os bandidos devem ser apanhados, e temos que apoiar as autoridades nesse trabalho, mas estes agentes - e mais uma vez, caso fique provado - a agir desta forma, não dignificam o bom nome da corporação. Não dignificam ninguém, nem nada. Eu quase que gostava que estivessem inocentes, mas infelizmente isto é muito sério para se tratar de um simples mal-entendido. É um momento histórico, sim, como referiu o presidente do SOS Racismo. Mas só é positivo se for a última vez que acontece.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Caixinha de (más) surpresas


A época futebolística 2016/17 ainda mal parecia ter terminado, e já arrancou a 2017/18, com a realização da fase preliminar das competições europeias de clubes. Na última quinta-feira realizou-se a primeira eliminatória da Liga Europa, que colocou frente a frente equipas de países dos últimos lugares do ranking da UEFA, e teve o aliciante de incluir o regresso do histórico Rangers de Glasgow. Os escoceses regressaram assim às competições internacionais sete anos depois de uma descida administrativa à II Divisão (quarto escalão) escocesa. O regresso não se pode dizer que tenha sido memorável, pois o Rangers acabaria eliminado por um tal Progrès Niederkorn, do Luxemburgo, uma equipa amadora que conseguiu assim a sua primeira vitória em seis participações na Europa, e que lhe valeu logo a passagem à eliminatória seguinte. Depois de uma derrota na Escócia por 0-1, os luxemburgueses - com alguns nomes portugueses na equipa - surpreenderam tudo e todos ao virar a eliminatória com uma vitória por 2-0, perante uma assistência de pouco mais de 5 mil espectadores.


Do lado do fracasso está um português, Pedro Caixinha, treinador dos Rangers. O clube sofreu talvez a maior humilhação da sua história de 140 anos, e certamente que muito se riu do lado dos rivais Celtic, com quem os Rangers disputam o "derby" mais antigo da modalidade. Na nau escocesa que foi naufragar ao continente estão ainda outros portugueses; o central Fábio Cardoso, o ala Daniel Candeias e ainda o avançado Dálcio, ex-Benfica. O Rangers é uma equipa altamente profissionalizada, com um plantel que vem sendo constantemente reforçado desde que o clube regressou ao escalão principal há dois anos, pelo que a corda fica extremamente curta para o português, depois de perder contra uma equipa amadora e praticamente desconhecida. A direcção do clube continua a confiar no técnico, mas certamente que mais um desaire idêntico será a morte do artista.


Há um ano...


Obrigado pelo tiro certeiro ao serviço da Pátria, nobre soldado Éder. Nunca o vamos esquecer.



Vocês em Macau


E para abrir as hostilidades desta semana, nada como o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau. Está um calor do caraças, mas vamos a isto.

Existem inúmeros dogmas que foram criados sobre a vida dos portugueses e outros expatriados em Macau e que, para quem não acompanhou a evolução da nova realidade, continuam actuais, e com os quais eu próprio tomo contacto cada vez que vou a Portugal de férias – e vai sendo cada vez menos. Não foram uma, nem duas, nem três as vezes que de repente salta um comentário do tipo “Vocês em Macau…”, seguido de qualquer coisa do género “…têm todos um rolls-royce na garagem”. Não é bem assim, mas não anda muito longe. Assim decidi compilar uma série de ideias feitas que muitos portugueses da metrópole ainda têm sobre nós, os expatriados, às quais convém fazer um “update”.

“Vocês em Macau” têm facilidade em arranjar emprego, sendo portugueses.

Já foi assim, mas vai sendo cada vez menos verdade que a nacionalidade portuguesa é meio caminho andado para garantir um emprego em Macau. Antes de 1999 bastava ser cidadão nacional português e obter uma declaração de que residia no território há mais de três meses confirmada por duas testemunhas para se obter o BIR, mas hoje em dia não só os critérios são mais rígidos, mas há também uma demora processual na autorização da residência que ninguém consegue explicar, e nem as autoridades justificam – é um mistério.

“Vocês em Macau” não se pode dizer exactamente que “trabalham”, quer dizer, “vão ao emprego”…

Essa é talvez uma das maiores diferenças em relação ao período da administração portuguesa. Trabalha-se sim e quem está no sector privado nem pense “encostar-se à sombra da bananeira”. Na hora de distribuir as atribuições, os portugueses não são menos que os outros.

“Vocês em Macau” têm como que “um desconto”, ao contrário dos chineses ou de outros estrangeiros.

Tal como na presunção anterior a esta, nada disso. Quem está com contrato e “pisa na bola” vai parar ao olho da rua com a mesma facilidade, seja ele português, chinês, italiano ou outro qualquer. Chefes chatinhos como aí também há por estas bandas, com a agravante de ainda precisarmos de atender ao aspecto cultural, e para quem não domina a língua, pior ainda.

“Vocês em Macau” ganham bem… em “pataquinhas”.

O mito da árvore das patacas é uma coisa do passado. Essa proverbial árvore, se realmente existiu , já há muito que secou; é verdade que se ganha melhor que em Portugal em algumas profissões, mas as despesas são muito mais que no passado. A habitação, por exemplo, tem um peso na ordem dos 30-40% da despesa total, ou mais para quem opta por viver sozinho ou dividir a renda por menos pessoas. Quem tem casa própria ou atribuida pela empresa onde trabalha está mais à vontade, mas não deixa de sentir a subida galopante da inflação em muitos dos bens de primeira necessidade.

“Vocês em Macau” têm uma vidinha tranquila. É tudo perto.

Sim, de facto é possível a muitos (como eu próprio) deslocar-se a pé para o emprego, apesar de já ter sido mais agradável, quando não era inevitável andar aos encontrões e aos empurrões, já para não falar do calor e da humidade. Para quem precisa de apanhar transporte ou conduzir, as distâncias também não são as mesmas do que entre Lisboa e a Margem Sul, por exemplo, mas a qualidade do serviço de transportes deteriorou-se, e o trânsito passou a ser um dos problemas que demoram a resolver.

“Vocês em Macau” não precisam de se preocupar com a questão da segurança, dos assaltos…

Apesar dos números da criminalidade terem vindo a aumentar, ainda é possível andar a qualquer hora e em qualquer lugar de Macau sem recear os assaltos, pois aqui não existem bairros “problemáticos”, como em Portugal. No entanto começam a surgir certas preocupações com algumas liberdades que em Portugal são praticamente “intocáveis”. Ah sim, e as penas pelos delitos relacionados com droga são muito mais pesadas que em Portugal – aqui não há lugar a certas “brincadeiras”.

“Vocês em Macau” têm os casinos, que resolvem todos os problemas de fundo, enquanto aqui os políticos são uns aldrabões e não mexem um dedo.

Os casinos são uma fonte de receitas que muitas economias invejam, sem dúvida, especialmente as micro-economias, como é o caso de Macau. O problema é que não se sabe muito bem por onde andam essas receitas, que em tempos batiam recordes atrás de recordes, e de como não estão a ser usadas para resolver problemas de longa data que têm vindo a agravar-se cada vez mais.

“Vocês em Macau” têm uma data de países à volta, praias paradisíacas, ilhas de sonho… é só passear!

É verdade e é muito mais fácil a alguém ir passar um fim-de-semana prolongado à Tailândia ou às Filipinas do que a um português fazer o mesmo em Bruxelas ou Amesterdão, que ficam mais ou menos à mesma distância de um voo. E é muito mais barato, também. Mesmo assim não se queixem, pois se vivem no litoral estão a meia-hora de carro de qualquer praia decente, enquanto para nós é necessário apanhar um avião.

“Vocês em Macau” agora queixam-se tanto… então o que estão ainda aí a fazer?

Parece uma provocação ou uma pergunta parva, mas é pertinente. Há os que se fartaram e se foram embora, há os que não gostam mas não têm outra escolha porque em Portugal têm as portas fechadas, e há os que mesmo tendo a opção de regressar, criaram aqui raízes, casaram com pessoas de cá, tiveram filhos e fazem aqui a sua vida. E para esses “queixar-se” quando as coisas correm mal é o mesmo que toda a gente faz quando quer o melhor para a si e para os seus. Esclarecidos?

Mas melhor que ouvir falar, e ainda por cima confiar em testemunhos que nada têm ver com o Macau do presente, era vir cá ver como isto é. Se não vos dá jeito, se é longe, caro, não vos interessa, ou não conhecem aqui ninguém e portanto acham que não vale a pena, paciência, só que antes de afirmar com essa dose de certeza que aqui é uma espécie de “mundo do faz-de-conta”, o melhor é informarem-se primeiro. Valeu, ó “vocês em Portugal”?



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Se a inveja matasse...


"Penso que já posso, como português, ter opinião sobre o comportamento do jovem talento, porque me parece que o traque do concerto solidário vem numa sequência “lógica”: não foi gás do momento. Parece-me que Salvador vive um dilema desde a primeira hora. Tentar agradar a todos é uma tarefa complicada. Sinto-o desconfortável e o traque só mo confirmou. Salvador cultiva a figura da alma livre, o músico pela música, que se junta a compinchas e mesmo que perante uma mera dúzia no público tocam como se fosse o último dia, porque é tudo amor à arte, mais o blá-blá do costume, o dos artistas muito puros que não se vergam ao vil comércio. Ainda assim, concorreu à Eurovisão. Como, de resto, tinha concorrido a tudo o que era concurso de talentos, que existem, que eu saiba, para quem procura o seu espacinho no apertado espectro da fama.
Quando não está a cantar estrofes, Salvador tem um problema com o que diz. Tudo espremido, deu sempre a ideia (já devia estar a pensar no traque) de que se está a cag**. Esquece-se disto: se abraçou o circo e as mordomias, fica-lhe mal cuspir na sopa. Passou logo a queixar-se, muito irreverente, muito estrela rock, das multidões que o aclamam"

Rodrigo Guedes de Carvalho, in TV Mais, 5/Julho/2017


A música é muito importante para si. Que paixão é essa?

Foi a minha primeira paixão. Quis aprender guitarra por volta dos 9 anos. Em casa, nessa altura, estava-se a viver o grande boom da música dos anos 70. E eu fazia playbacks. É preciso ver que os meus pais tiveram-me muito cedo e que fui filho único durante bastante tempo. De certa forma, fui o irmão mais novo do meu pai. A minha infância foi por isso passada entre adultos, os meus tios incluídos. Havia muita música, muitos discos. Tudo isso mexia comigo, e apaixonei-me.

Chegou a ter aulas?

Sim. Pedi à minha mãe, e ela procurou alguém que me ensinasse. Era uma antiga professora do Conservatório, velhinha. Eu ia às aulas sozinho, e aquilo correu mal. A senhora era muito exigente, eu aprendia guitarra clássica pura e dura, quando queria era tocar rock. Chegou um momento em que não aguentei mais, porque ela batia-me com uma vareta nos dedos quando eu falhava uma nota. E, um dia, antes de entrar em casa, parti a minha guitarra. Jurei que nunca mais tocaria.

Idem, in Expresso, 6/Maio/2017


quinta-feira, 6 de julho de 2017

A alcagoita


Um texto espectacular de António Ribeiro, sobre a "Maria Vieira", aliás, o frustrado do marido dela.

Anda por aí uma alcagoita ranhosa, filha de um espermatozóide avariado, sem cultura nem vergonha, a opinar que o Presidente Marcelo vai ficar na História como o pior de sempre. Entre outros dislates. Nem o nome dessa coisa esponjosa refiro, porque há assuntos que não são para qualquer um, ou uma. Todos temos direito a uma opinião, mas há seres tão rasteiros que não vêem nada acima dos rodapés da sua ignorância escatológica.


Pessoano



Primeiro estranha-se, depois entranha-se.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Yoga? Diga não!



Cuidado, cristãos! Não vos deixais tentar pelas coisas do demo, como é o caso da Yoga! Pernas cruzadas ou atrás das costas não é natural. A Yoga não é uma actividade cristã, como falar sozinho, percorrer santuários de joelhos, ou contribuir com parte dos rendimentos para uma seita de pedófilos e afins - é própria do hinduísmo, não da cristandade. E está a chegar às crianças e tudo! Alguém por favor pense nas crianças! (Para além dos pedófilos no Vaticano, lá está).

O demónio apresenta-se de várias formas e feitios, e na maior parte delas vindas do Oriente (menos Jesus). Ele é o hinduísmo, o budismo, o Islão (especialmente este), são tudo coisas do demo! E o tal de Kama Sutra? Coisa menos natural que isto não existe! O sexo serve para fins reprodutivos, e mais nada! Por isso atenção aos perigos de outras práticas orientais (menos o cristianismo), como sejam o reiki, a astrologia, o horóscopo, ou o tarot, além da meditação. Pensar não é uma coisa cristã, de todo.

Ah, e já agora as artes marciais, como o karaté, o taekwoondo, ou ainda o kenpo, porque não? Estás a ouvir, ó Hugo Gaspar? Nada disto vem de Deus. Não vais querer ter um exorcista à porta, como o professor Sousa Lara, pois não? Lembra-te: só Deus salva. E Deus, como toda a gente sabe, é branco, loiro e de olhos azuis. Amén!

Benfica tetra-campeão, também em Macau


Assim como em Portugal, também aqui em Macau o Benfica local comemorou no último Domingo o seu tetra-campeonato, e o segundo desde que Henrique Nunes tomou as rédeas da equipa como treinador. A edição 2017 da liga macaense terminou com um clássico entre os encarnados e o Sporting de Macau, filial do clube de Alvalade, que terminou com 7-1 para as águias. Um resultado que faz lembrar um outro ocorrido entre os dois emblemas em Portugal há muitos anos, só que ao contrário. Nesta versão o avançado Nicholas Torrão fez de Manuel Fernandes e marcou quatro golos, numa partida sem muita história; o Benfica jogava para o título, enquanto o Sporting tinha garantido na jornada anterior o seu objectivo, que era a manutenção, e apresentou em campo uma equipa bastante jovem.

O segundo classificado foi o Monte Carlo, que na última ronda goleou o despromovido Lai Chi por 9-1, e ficou a um ponto do Benfica. O terceiro foi o Chao Pak Kei, que terminou a quatro pontos do líder, e depois cavou-se um fosso de 16 pontos até ao quarto lugar, ocupado pelo Kei Lun, com 27 - típico no futebol macaense. O Cheng Fung, que teve o mérito de empatar os dois jogos com o campeão Benfica, fechou a primeira metade da tabela, enquanto o Ka I, campeão em 2010 e 2012 e vice nos últimos dois anos, terminou num desapontante sexto posto. Na parte inferior da tabela temos o já referido Sporting, que foi sétimo com 16 pontos, enquanto a formação da Polícia (PSP) terminou no oitavo posto, após ter andado a lutar para fugir à despromoção, como tem sido aliás seu hábito (são pouco sarrafeiros, são...). Além do Lai Chi, foi despromovida ainda a formação dos Sub-23, patrocinada pela Associação de Futebol de Macau, e que regressa assim à II divisão, que disputou ainda no ano passado.

Classificação final: