quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Deixem a Madonna viver! (em Portugal)


Ainda sou do tempo em que Portugal andava atrás no departamento das novidades. Os filmes e os discos chegavam meses depois de Hollywood e de Inglaterra, as séries de televisão norte-americanas passavam com anos de atraso, e o nosso país não eram propriamente parte da agenda dos mega-grupos internacionais - os Queen nunca deram um concerto em Portugal, por exemplo. Mas pronto, tudo mudou, e passámos a fazer parte do mapa, e já não nos comove tanto assim quando ouvimos uma estrela internacional falar do nosso país como não fazendo "parte de Espanha". Até choramos menos e batemos menos palmas como uma foca a quem acabaram de dar um carapau quando um actor ou músico tenta pronunciar "bom dia" ou "obrigado". Para um mercado mais ou menos minúsculo, de dez milhões de consumidores, evoluímos um bocadinho, vá lá.

Ou talvez não. A nossa evolução, em conjunto com a nossa história, património, gastronomia e etcetera chegou ao ponto de ser mais procurados pelos turistas, e achamos isso "mau". Aqui evoluímos também, da lamúria de que "ninguém nos liga nenhuma", à lamúria de que "há turistas a mais". É lamúria na mesma. E agora, pasme-se, a Madonna quer viver entre nós! Já sabemos que a cantora que se celebrizou com "Like a Virgin" e daí partiu para uma carreira que dispensa apresentações tem uma certa "pancada" - já teve a mania que era latino-americana, que era a reencarnação de Marilyn Monroe, estudou a cabala e dizia-se judia, já foi judia, inglesa, etc. Mas quem sabe se agora que está prestes a completar 60 anos, devemos levá-la a sério quando diz que quer viver em Portugal, e que ali encontrou a sua "paz espiritual". Epá, isso não é bom? É negativo? Ela até inscreveu o filho adoptivo nas escolas do Benfica, e tirou uma fotografia no Estádio da Luz e tudo! Não acreditam???


Aí está, e com isto já consegui convencer seis milhões de alminhas - ou não. A opção de Madonna vir viver para Portugal tem sido recebida com um provincianismo atroz. Ora são as piadolas (a mais bem conseguida ainda foi esta), ora é a marcação cerrada que a imprensa faz à cantora, noticiando cada peido que dá desde que chegou, ora é ainda uma arrogância inexplicável, de pessoas que, pasme-se, acham que a Madonna não está em Portugal "a fazer nada". A própria Madonna tem encontrado dificuldades nesta sua nova opção de vida, quer no que diz respeito à procura de casa (está actualmente a viver num hotel em Alcântara), quer no que toca à correspondência que lhe é dirigida. Aqui o maior problema tem sido "provar que é realmente ela". Que diabo, então não sabem que a moda dos imitadores de Madonna foi há mais de 30 anos???

Por isso deixo aqui o apelo: deixem a cidade Madonna Louise Ciccone viver em Portugal, e deixem-na em paz! E que tal trocar esta bizarra animosidade por um simpatia à portuguesa? Quando a encontrarem, tratem-na como fazem quando vêem a Maria Vieira, e digam que "gostam muito de a ver trabalhar", deixando outros julgamentos de valor para segundo plano. Sejam chiques, e desvalorizem o facto da cantora mais popular e bem sucedida das últimas quatro décadas viver entre nós. É mais que natural, "hombres". Ela é a maior, e vive entre os maiores. Que tal? Não sejam tão básicos, porra, a mulher não "emigrou", nem vai viver do RSI. E vai mais uma rodada de moscatel para essa mesa, ó Madonna?


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ai o que tu foste fazer, António Antunes...


Se eu vos fosse dizer que um tal de António Manuel Mateus Antunes, de Pampilhosa da Serra, estava a ser acusado de 11 crimes? Aposto que muita gente dizia "enforquem-no!", "jaula com ele", ou "era já encostado a um paredão e fuzilado!". Agora, e se eu vos disser que Tony Carreira está acusado de 11 crimes de contrafação? - "Alto lá, não é bem assim". Pois não, coração. Antes de mais nada, sim, o nome de baptismo deste "fenómeno" é mesmo António Antunes, e foi com esse nome que Tony Carreira concorreu ao Festival da Canção (então chamado de "Prémio Nacional de Música", ou lá o que é) em 1988. Ora vejam:


Aquele jovem de 23 anos, um misto de modelo da Maconde com "barman" de hotel de luxo, é o casulo que viria a ser Tony Carreira, cantor romântico, um ladrão de corações - e de canções dos outros. O António Antunes voltou ao Festival em 1992 já com o nome que o viria a tornar mundialmente (!) conhecido, e em nenhum das vezes ganhou. O sucesso só viria dez anos mais tarde, depois da parceria com Ricardo Landum - uma espécie de importador e escultor de material discográfico alheio. A questão de que se existe ou não plágio, bem, isso já não é de agora:


Este vídeo já tem quase dez anos, e já na altura tinham recaído sobre o cantor estas acusações. É claro que qualquer pessoa com um par de ouvidos (ou mesmo um ouvido apenas, e meio mouco) percebe que as canções são muito mais do que apenas "parecidas" - vá lá, vamos ser honestos: chamar-lhes uma "tradução" é ser muito simpático. Eu não tenho nada contra o artista, sei mudar de canal quando passa algo de que não gosto, e ainda menos tenho a favor. Isto de enriquecer e ganhar prestígio à conta de gamar aos outros é algo "que não me assiste", estão a ver? Houve no entanto quem questionasse o "timing" desta nova acusação, e a relacionasse com a nomeação de Tony Carreira como mandatário da campanha de Fernando Medina para a CM Lisboa. Isto é politizar as coisas demasiado, e não me parece que "o mandatário da campanha" vá ser um elemento decisivo do resultado eleitoral na capital. Entretanto o cantor deu uma entrevista à Impala, onde se diz "perseguido" por uma pessoa, "a mesma que lhe meteu o primeiro processo há dez anos". Ó Tony, diz lá, é um dos gajos a quem gamaste as músicas, não foi? No entanto, há quem tenha uma opinião muito particular sobre este assunto: os fãs de Tony Carreira:


Ora deveria dizer antes, as fãs. Pronto, para evitar discussões parvas, digamos "o segmento de mercado do Tony Carreira". Este "segmento", portanto, perdoa tudo e mais alguma coisa ao seu ídolo, e a mais ninguém. Entre alegações de "inveja pelo sucesso" do cantor a teorias da conspiração, há de tudo um pouco, e reparem naquela última entrada, ali em baixo: "Há coisas piores e só se metem com quem está sossegado". Pois, ó minha senhora, eu também acho que era mais importante apanhar os assassinos e os violadores todos. E pode ser que um dia isso aconteça, se começarem todos a infringir as leis que protegem os direitos de autor, quem sabe? Ah, e há ainda isto:


"O gajo só pode ser gay", o "anormal", referindo-se à pessoa que o Tony Carreira acusa de o estar a perseguir. Isto não faz lá muito sentido, seja de onde for que se observe a frase. Mas isso não interessa. Espero que seja feita justiça, e o Tony pague lá o que tem de pagar - se for esse o caso - e que seja menos chico-esperto da próxima vez, e deixe de tratar as pessoas como se fossem os seus fãs. Outra vez: sem ofensa!


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Eleições legislativas - e agora, de cabeça fria


Acabei de ver no Telejornal o comentário de José Rocha Dinis aos resultados eleitorais de ontem, e há coisas em que não podia estar menos de acordo com o director do Jornal Tribuna de Macau. Em primeiro lugar, quem venceu as eleições de ontem foi a Associação Novo Macau (NM) que obteve mais de 30 mil dos votos expressos, em segundo lugar ficou a Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM) com cerca de vinte e cinco mil votos, e nos lugares seguintes, aí sim, a União Macau-Guangdong de Mak Soi Kun, a associação dos operários, e a Nova Esperança de Pereira Coutinho, por esta ordem - e isto se não contarmos com os "kai-fong", que este ano concorreram pela primeira vez separados da Associação das Mulheres, obtendo ambos mais de vinte mil votos no total. Quer se goste ou não dos democratas, tecnicamente foi assim mesmo, e não foi nada do outro mundo. É verdade que obtiveram o maior número de votos da sua história, mas em termos percentuais ainda ficaram dois pontos abaixo dos resultados de 2009. Falar numa "vitória de Mak Soi Kun", é analisar "a quente", e 24 horas desde a divulgação dos resultados é tempo mais que suficiente para arrefecer, e pensar de cabeça fria. Adiante, passemos àquilo que eu penso em relação aos resultados de ontem, depois de feito o rescaldo e analisadas as reacções.

O que aconteceu com o NM foi simples; a mesma estratégia de há quatro anos surtiu resultados desta feita, com Sulu Sou quase a triplicar o número de votos de Jason Chao em 2013. Não foi propriamente uma surpresa ou um sucesso estrondoso, pois os democratas ainda estão longe da ideia que os levou inicialmente a concorrer com três listas separadas: eleger quatro deputados. Não foi mau, mesmo assim, e a única "surpresa", por assim dizer, foi a lista de Au Kam San ter obtido mais votos que o histórico Ng Kwok Cheong, que anunciou recentemente que este mandato seria o seu último. Foi de facto negativo para a imagem de Au ter saído a criticar a intervenção do Exército da R.P. China durante a crise do tufão Hato - eu não gostei de ouvir, bem como muita gente. Mas é ingenuidade pensar-se que este tipo de discurso não tem eco em Macau, ou que os eleitores habituais de Au Kam San o fossem castigar apenas e só por ter dito aquilo. Se fosse comprovodamente mentiroso, ou suspeitamente corrupto, aí sim, acredito nessa possibilidade.

Menos sorte com a distribuição dos votos teve a ACUM, que depois de conquistar três assentos com uma única ista encabeçada por Chan Meng Kam há quatro anos, dividiu-se em duas, e só conseguiu eleger dois deputados. O que faltou à associação ligada aos cidadãos de origem fukinenses? Chan Meng Kam, lógico. Si Ka Lon teve alguma visibilidade durante o seu último mandato no hemiciclo, e pode-se mesmo dizer que se deu conhecer, e cimentou a sua presença, mas não é um Chan Meng Kam. De Song Pek Kei pode-se dizer que não chega a um Si Ka Lon, e chegou mesmo a ter a sua eleição em risco durante o apuramento dos resultados, vindo a confirmar a sua reeleição a jogar "em casa", na zona norte da cidade. Chan Meng Kam "apadrinhou" as duas listas, marcou presença, mas isso não foi suficiente para igualar ou até ultrapassar os resultados de há 4 anos. Este é um homem que vale muitos votos, minha gente.

Quanto a Mak Soi Kun, que encabeçou a lista mais votada, não teve um desempenho propriamente espectacular, especialmente em termos de crescimento. Apesar de ter obtido 17 207 votos, quase mais mil do que há quatro anos, isto em termos de percentagem é uma descida de 1,12%. Quanto aos operários  e aos "kuai fong", os chamados "sectores tradicionais", obtiveram aquilo que queriam, provavelmente, e no caso dos primeiros foram eleitos dois deputados pela via directa, e outros dois pela via indirecta. São grupos normalmente homogéneos, onde não se tem em conta tanto o seu peso político, mas em vez disso trata-se de uma questão de "representatividade". Não estando eu ligado nem a um nem a outro dos grupos, nem ninguém da minha família (pelo menos directamente), não terei um interesse por aí além naquilo que os operários e moradores têm para me oferecer, e por isso não faz para mim qualquer sentido votar neles. E eles sabem disso, e até se abstêm de me abordar ou oferecer propraganda eleitoral durante as campanhas. Sou invisível, para eles.

Falando agora de Pereira Coutinho, pode-se dizer que perdeu o seu companheiro de bancada, Leong Veng Chai, mas viu a sua própria posição reforçada. Encabeçou a quarta lista mais votada e conseguiu mais 1200 votos que em 2013, mesmo que isto se tenha traduzido numa queda percentual ligeira de 0,63% do total de votos válidos. O resultado foi festejado na ATFPM, pois estranhamente Coutinho vinha anunciando uma espécie de "cataclismo eleitoral", apelando efusivamente à participação em massa do seu eleitorado. Estranho. E mais estranho ainda é o resultado de Agnes Lam, que quase duplicou a sua votação em relação às últimas eleições, e acampanhou bem o aumento da adesão, registando uma subida de dois pontos percentuais no universo total do eleitorado. E digo "estranho", pois não me parece ter sido aos democratas ou a Pereira Coutinho que ela foi buscar este novo eleitorado. Eu suspeito que desta feita a professora de Comunicação da UMAC conseguiu convencer alguns eleitores a irem votar nela, em vez de ficarem no sofá, ou ir dar um passeio domingueiro como alternativa a ir cumprir o dever cívico.

Finalmente falando dos "casineiros", provavelmente os grandes derrotados da noite. Angela Leong perdeu 2500 votos e caíu quase três pontos percentuais, e a isto não é despeciendo o aparecimento da lista 25, apoiada numa associação independente de trabalhadores do sector do jogo, e que só nesta estreia conseguiu 3200 votos. Mesmo assim a empresária da SJM conseguiu aquilo que normalmente é o seu objectivo, que é ser eleita. Já Melinda Chan não teve a mesma felicidade, e perdeu o lugar que se vinha definhando desde que era ocupado até 2005 pelo seu marido, o também empresário David Chow. A lista MUDAR nem teve um "crash" muito grande, perdendo apenas cerca de 600 votos em relação ao último sufrágio, o que desta vez não lhe garantiu o número suficiente para ser eleita. A candidata diz que não sabe o que se passou, e se a derrota terá tido alguma coisa a ver com algo que ela disse ou fez. Bem, eu diria que não, que não fez nem disse nada de especial. E o problema se calhar foi mesmo esse.

As eleições decorreram dentro da normalidade, sem incidentes graves, apesar de se terem registado alguns episódios curiosos. Para saber mais, basta ter lido os títulos da imprensa em língua portuguesa de hoje (e chinesa também, suponho, mas eu não li). Mais uma vez lamenta-se que a participação tenha ficado ainda abaixo dos 60%, apesar de ter ido mais gente às urnas, e isso foi notório. Se os eleitores das listas ligadas aos interesses associativos e empresariais vão normalmente votar compulsivamente, seria interessante observar no que se traduziriam os resultados caso mais eleitores independentes se dessem ao trabalho de expressar o seu voto. É errado dizer-se que para alguns isto "não tem interesse". É o nosso futuro, e o dia de amanhã interessa-nos sempre.


domingo, 17 de setembro de 2017

Tivemos eleições, a AL rejuvenesce


Será a esta parte da composição para a próxima legislatura, depois de apurados os votos pela via directa e indirecta, que determinou 26 dos 33 assentos no hemiciclo. Faltam os 7 que o Chefe do Executivo vai nomear, mas a Assembleia Legislativa já promete ter muito sangue novo nos próximos quatro anos. Vamos à análise dos resultados eleitorais da noite, quanto ao sufrágio directo, do qual participaram 168 742 eleitores inscritos.

                                                                  OS VENCEDORES


Mak Soi Kun, claro, que beneficiando da dispersão de votos da lista vencedora de há quatro anos, ligada a Chan Meng Kam (que não participou), acabou por ser o mais votado, e manteve ainda o seu nº 2, Zheng Anting. O deputado apoiado pelo sector da construção e da comunidade de Jiangmen tomou a opção sensata de manter a mesma estratégia de há quatro anos, concorrendo com apenas uma lista, e ainda aumentou ligeiramentre o número de votos, de16248 para 16841.


Era uma incógnita o que seria o desempenho da União para a Promoção do Progresso (UPP, vulgo "operários"), que concorria pela primeira vez sem a sua líder histórica, Kwan Tsui Hang, que se retirou da vida política. Ella Lei (em cima), que cumpriu o último mandato eleita pela via indirecta, tomou as rédeas da associação, e não só se conseguiu eleger a ela própria, como ainda leva consigo o seu nº 2, Leong Sun Iok, que é uma estreia na Assembleia Legislativa.


É um facto que José Pereira Coutinho perdeu o seu nº 2, Leong Veng Chai, mas perante todas as contrariedades que encontrou, o cabeça de lista da Nova Esperança conseguiu aumentar o número de votos, aumentando a barreira dos 14 mil. O único deputado de língua oficial portuguesa obteve um fantástico quarto lugar, e pode-se dizer que reforçou a sua própria posição no hemiciclo da Praia Grande.


Depois da estratégia das três listas ter fracassado há 4 anos, os democratas voltam a estar representados com três deputados na AL. Surpreendentemente a lista de Au Kam San foi a mais votada, seguida da lista do histórico Ng Kuok Cheong, e finalmente a lista 7, encabeçada por Sulu Sou Ka Hong (na imagem) completou a equipa dos democratas. Sulu Sou, uma novidade refrescante, torna-se assim no deputado mais jovem de sempre no hemiciclo, com apenas 26 anos de idade.


Naquela que foi talvez a maior surpresa da noite - ou talvez não - Agnes Lam Iok Fong ganhou finalmente um lugar na AL, à terceira tentativa. Desta vez o seu Observatório Cívico teve um desempenho positivo na zona norte da cidade, um palco decisivo nestas eleições, e conseguiu quase o dobro dos votos de 2013. Aos 45 anos, a ex-jornalista da TDM e actual reitora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Macau vai-se sentar no hemiciclo da Praia Grande nos próximos 4 anos.

                                                                   OS DERROTADOS


Esta é uma imagem que não se vai repetir nesta próxima legislatura. Melinda Chan Mei Yi foi a grande derrotada da noite, perdendo mais de mil votos, e o lugar que ocupava na AL com a sua plataforma MUDAR. Um resultado surpreendente pela negativa.


Existe uma forte possibilidade de Chan Meng Kam vir a ser nomeado pelo CE como deputado, mas nas urnas a estratégia da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM) de se dividir em duas listas não produziu os resultados desejados, e a plataforma da comunidade de Fujian perdeu um deputado. Si Ka Lon foi eleito, ma não conseguiu levar consigo Kyan Su Lone, enquanto Song Pek Kei garantiu a reeleição de forma mais ou menos confortável.

De resto, Angela Leong On Kei mantém o seu lugar na AL, bem como Ho Ion San, da Associação dos Moradores, a quem se junta ainda Wong Kit Cheng, candidata apoiada pela Associação das Mulheres de Macau. 


Recordando o C.D. Montijo


A moldura do C.D. Montijo pendurada na sala de jantar da casa dos sogros do meu pai.

Aproveitei mais este "miminho" enviado pela minha irmã para recorda o Clube Desportivo do Montijo, um clube que beneficiou da proliferação das equipas da margem sul do Tejo durante os anos 60, 70 e 80 do século. Foram vários os clubes do distriro de Setúbal que pontificaram na I Divisão do futebol português durante essa altura, com mais destaque para o V. Setúbal, a CUF e o Barreirense, que chegaram mesmo a participar nas competições europeias, e com menos destaque o Seixal (anos 60), o Montijo (anos 70) e o Amora (anos 80) - os primeiros marcaram presença por duas vezes entre os grandes, os segundos e terceiros três vezes cada.


A equipa do C.D. Montijo que participou no campeonato da II Divisão da época de 1963/64, com o seu equipamento original, em xadrez amarelo e verde.

O C.D. Montijo resultou da fusão do CD Aldegalense (quatro presenças na II Divisão) e outro clube local, e participou por 21 vezes na II Divisão e uma vez na III (de que foi campeão, na época de 1965/66), antes de se estrear na I Divisão na temporada de 1972/73, onde se conseguiu manter através da "liguilha". Na época seguinte a equipa contou com nomes como João Alves (o "luvas pretas"), Álvaro Carolino, João Cardoso, José Rachão ou Francisco Mário, mas não conseguiu evitar o último lugar na competição com 20 pontos - menos um do que 5 equipas. Depois de duas épocas no escalão secundário, o Montijo logrou uma terceira participação na época 1976/77, mas voltaria a falhar a manutenção, e a partir daí nunca mais voltou a estar entre os grandes.


Ricardo, guardião ternacional por 79 vezes, um dos produtos das escolas do C.D. Montijo.

Os anos 80 viram o Montijo cair na III Divisão pela segunda vez na sua história. Depois disso, e de alguns anos na II Divisão, onde conseguiu algumas classificações honrosas, viria a cair novamente na III Divisão na época de 1988/89, conquistando o segundo título de campeão da mesma na época seguinte, vencendo o Lousada na final por 1-0. Depois de alguns anos na recém-criada II Divisão "B", o Montijo cairia em 1995/96 para o quarto escalão, e dois depois participaria pela primeira vez nos campeonatos distritais, regressando aos nacionais duas épocas mais tarde, e onde ficaria durante seis épocas até 2007, altura em que o clube encerrou as portas, por culpa de uma dívida que ascendia a mais de um milhão de euros. Pelo meio a história do clube ficou marcada pela demolição do antigo campo Luís Almeida Fidalgo, na Rua da Aldeia Velha, cujo espaço é actualmente ocupado por um supermercado da cadeia Lidl.


O Clube Olímpico do Montijo, nascido das cinzas do C.D. Montijo.

O Clube Olímpico do Montijo, fundado após o fim do C.D. Montijo, participou na II Divisão distrital da AF Setúbal na época 2007/2008, e com excepção da época de 2011/2012, onde marcou presença na já extinta III Divisão, participou sempre nos campeonatos distritais na sua primeira década de história. Depois de se ter sagrado pela segunda vez campeão distrital, o Olímpico participa este ano no Campeonato de Portugal, antiga II divisão "B".




Benfiquistas e "benfiqueiros"


O meu pai era benfiquista, assim como era o pai dele. Tínhamos uma relação que posso chamar de "mista", mas isso nada tinha a ver com o futebol. Como eu próprio sou adepto do FC Porto, e sempre que havia "derby" lá em casa, era uma grande animação, com "bocas" de parte a parte, mas no dia seguinte e nos dias restantes estava tudo bem. Era um jogo, e nada mais do que isso, e a vida continuava. O meu pai era um benfiquista, um "gentleman", um bom desportista. Não era um "benfiqueiro". E o que é um "benfiqueiro"?


É alguém como o Miguel Andrade, e com muita pena minha. Eu respeito o Miguel, uma pessoa que passou pelo território nos anos 80, onde trabalhou na Rádio Macau, e que apesar que ter regressado a Portugal antes de eu ter chegado em 1993, partilhamos imensas coisas em comum, incluíndo 131 amigos no Facebook. Ontem, e a propósito desta notícia, partilhada no mural do João Severino, o Miguel decidiu desamigar-me, acusando-me mais uma vez de "anti-benfiquismo" - seja lá o que isso for. Não foi a primeira vez que me acusa de tal coisa, e o "isto tem solução" a que ele se refere foi isso mesmo, desamigar-me. Típico de um benfiqueiro, não de um benfiquista. A coisa não me incomoda por aí além, mas deixa-me insultado. E quem me conhece sabe que não me fico por aí. Não levo desaforo para casa. 

A conversa descambou para a relação que o Benfica tem, ou teve, com algumas das suas glórias passadas. É verdade que o Benfica ostracizou Eusébio antes de o reabilitar, e de o tornar numa espécie de símbolo, é verdade que a direcção de Vale e Azevedo demitiu José Águas da posição de olheiro do clube, para depois a direcção de Manuel Vilarinho voltar a contratá-lo, e é verdade que José Torres, já padecendo da doença que o viria a vitimar, foi mal recebido no novo Estádio da Luz. Tudo isto é verdade, mas não faz do Benfica um clube de "más pessoas", mas antes de pessoas como outras quaisquer, que acertam e erram. Não é diferente das pessoas do FC Porto ou do Sporting. Para o Miguel, que é ateu e socialista, o Benfica é uma espécie de "Deus", infalível e incriticável.

O Benfica não é o meu "inimigo" - é o adversário. Tenho amigos benfiquistas que são óptimas pessoas (as minhas duas irmãs são benfiquistas), e nunca em circunstância alguma me aborreci com ninguém por motivo de tricas clubísticas. E claro que a nível interno, em competição directa, fico feliz quando o adversário perde. Os campeonatos não se decidem apenas pelos jogos entre os candidatos ao título, são uma prova onde conta a regularidade, e no fim ganha quem fizer mais pontos, e pouca interessa contra quem. Gosto quando o Benfica perde pontos contra outras equipas, da mesma forma como os adeptos do Sporting e o Benfica ficam contentes quando o FC Porto perde pontos. O contrário seria de admirar. Ninguém me viu aí a festejar a derrota do Benfica na terça-feira contra os russos do CSKA de Moscovo, e quem alegar que sim, exijo que apresente provas. Isso vai ser impossível, porque não as tem.

O Miguel Andrade é o benfiqueiro típico. Quando ganha "é desporto", e quando perde, o melhor é não lhe dirigir a palavra. Para ele o normal é o Benfica ganhar, o Benfica é o maior, e os outros "são uns invejosos", ou melhor dizendo, são "anti". Compreendo que ultimamente ande com uma grande cachola, mas é assim a vida. Se acha que os adversários do Benfica deviam fazer-lhe reverência, ou estenderem-lhe a passadeira, está muito desfasado da realidade. Ontem teve mais uma adenda à sua azia. Se com Rennie já não vai lá, tome um Kompensan que isso passa. Quanto à sua atitude, fez o que entendeu, e não lhe estou a pedir que reconsidere. Aliás, peço-lhe até que não o faça. Tenho pouca ou nenhuma paciência para fanáticos, e recentemente nesse particular tive uma experiência desagradável. Só lhe desejo que a sua amargura de benfiqueiro não se transmita para a sua vida pessoal, para bem de si e dos seus. Passe bem, ou pelo menos tente.


Volta à Europa em futebol



O Benfica somou ontem a sua primeira derrota na Liga portuguesa, ao perder por 1-2 no Estádio do Bessa frente ao Boavista. Os axadrezados trocaram de treinador a meio da semana, e Jorge Simão não podia ter pedido uma estreia melhor, somando 3 pontos frentes aos tetracampeões nacionais. O Benfica até começou melhor, e marcou por Jonas logo aos 7 minutos. No entanto, a noite estava longe de ser tranquila, e depois de uma primeira parte mais ou menos dividida, o Boavista apareceu em grande no segundo tempo, muito graças à entrada de David Simão, e a exibições de encher o olho da parte de Renato Santos e do guardião Wagner. O primeiro empatou para a equipa da casa aos 56 minutos, e do outro lado o Benfica mostrou estar menos bem servido na baliza, quando aos 74 minutos um livre de Fábio Espinho resulta num frango enorme de Bruno Varela, que praticamente colocou a bola no fundo das redes. Sabendo de antemão da derrota do seu rival directo, o Sporting recebeu e venceu em Alvalade o Tondela por 2-0, e ficou no primeiro lugar com mais cinco pontos que o Benfica, que caíu para o quarto lugar, atrás do Marítimo.



Ao lado, em Espanha, o Barcelona somou a quarta vitória em outros tantos jogos, ao vencer nos arredores do Madrid o recém-promovido Getafe por duas bolas a uma. Os catalães chegaram a estar mesmo em desvantagem, graças a um golo do japonês Shibasaki aos 39 minutos, e só na segunda parte a equipa de Valverde deu a volta aos acontecimentos, com golos de Dénis Suarez, e do substituto Paulinho, este a seis minutos dos noventa. O Barcelona lidera à condição com mais 3 pontos que a Real Sociedad, e mais sete (!) que o Real Madrid. As duas equipas encontram-se hoje em Donostia, numa partida onde qualquer  resultado serve aos catalães.



Na Inglaterra, destaque para a goleada do Manchester City no terreno do Watford, por seis bolas a zero. O contingente sul-americano ao serviço de Pep Guardiola esteve em destaque, nomeadamente o argentino Kun Aguero, que assinou um "hat-trick". Do outro lado estava a equipa de Marco Silva, que ainda não tinha perdido esta época, mas que foi cair com estrondo perante um adversário com um plantel e orçamento muito superiores. O City lidera com 13 pontos, e fica à espera do resultado de hoje do jogo entre o Manchester United e o Everton para saber se vão ter a companhia do rival da mesma cidade da liderança. Também hoje se realiza o derby de Londres entre o Chelsea e o Arsenal.



No Championship, o segundo escalão do futebol inglês, a vida corre bem para o Wolverhampton, a equipa de Nuno Espírito Santo, que conta com vários jogadores portugueses agenciados pelo empresário Jorge Mendes. Os Wolves foram vencer fora o Nottingham Forest por 2-1, com dois golos do ex-portista Diogo Jota, emprestado pelo Atlético Madrid ao clube inglês. A equipa mais portuguesa de Inglaterra partilha agora a liderança com  Leeds United e Cardiff City, todos com 17 pontos em 8 jogos.


sábado, 16 de setembro de 2017

Maria Vieira abre o livro


Maria Vieira lançou no mês passado o livro "Maria no país do Facebook", uma edição de autor com a chancela da Ideia-Fixa, a editora que tem por trás nem mais que Zita Seabra. A antiga afilhada de Álvaro Cunhal e comunista arrependida tornada devota do culto mariano tem aparecido ao lado de Maria Vieira na promoção. Eu não alinho nesse tipo de teorias da conspiração, e não sei nem me interessa se aqui se trata de algum tipo de manipulação política feita à actriz por uma certa direita que é tudo menos democrática, mas que isto leva água no bico, isso leva. O livro propriamente dito é um engodo; não estão lá os textos que catapultaram a figura de Maria Vieira, uma actriz que fez uma carreira modesta, onde é sobretudo conhecida pela sua simplicidade e simpatia, para as parangonas da imprensa cor-de-rosa e não só. Não estão ali os conteúdos polémicos que poderiam levantar algum interesse em relação ao livro. Em suma, o livro aparece como um veículo promocional não daquilo que a Maria Vieira escreve ou pensa, mas do ideário pérfido de alguém que não ela. Mas já lá vamos.


Maria Vieira apareceu no programa Você na TV no último dia 30 de Agosto, a falar do livro, das polémicas e tudo mais. Recorde-se que a actriz se tem abstido de comentar os assuntos que lhe têm valido um rol de críticas, e algum apoio - menos do que as críticas - remetendo todos os esclarecimentos "para o Facebook". A entrevista conduzida por Cristina Ferreira, que pode ver aqui na íntegra, foi possivelmente o pior papel que Maria Vieira representou. Gagueja, engasga-se, chega a chorar, e apesar de lhe ter sido dado um texto que decorou, como sempre muito bem faz, era nítido que não tinha noção alguns dos conceitos que diz defender, e até dos "autores marginais" que diz serem "os seus favoritos". Vamos por partes.


Por exemplo, ao minuto 2:30 da entrevista, enquanto Maria Vieira tenta justificar ter chamado de "idiota encartado" a Salvador Sobral, mete completamente os pés pelas mãos. Diz que "as pessoas que a perseguem criam perfis falsos para entrar nas páginas de amigos seus", onde fez o referido comentário, páginas essas que "estão reservadas apenas a amigos". Mentira. Este é um truque de manga que não engana uma criança de 4 anos. Quem seguir a Maria Vieira no Facebook, tem acesso aos seus posts e aos comentários (bem como aos "likes") que faz em posts de outrém desde que estes últimos sejam públicos. Isto e apenas isto. Eu estou bloqueado naquela página, mas há outras pessoas aqui em casa que também têm conta de Facebook. Mas então cabe na cabeça de alguém que os amigos da Maria Vieira aceitem a amizade de "perfis falsos"? Essa agora. O problema aqui é que Maria Vieira está aqui a tentar branquear não aquilo que ela escreve, mas o que alguém escreve em nome dela, como vamos ver a seguir.


É ao minuto 4:53 que a boca de Maria Vieira foge para a verdade. Quando Cristina Ferreira a confronta com mais uma polémica, a actriz responde "mas achas que sou eu que escrevo?". Atrapalhada, tenta emendar a mão, evidenciando um nervosismo estranho. Seguem-se considerações sobre o islamismo, o terrorismo, etc., coisas de que a Maria Vieira obviamente pouco percebe. É mais que público, pois foi admitido em tempos pela própria, e recentemente por amigos próximos, que é o marido de Maria Vieira que escreve na sua página do Facebook, e explana aquelas ideias atrozes "anti-globalização". Mete pena ver a actriz amparar os delírios do homem com quem partilha a vida há mais de 30 anos. E posto isto...


É aos 6:30 que Maria Vieira quebra, e começa a chorar quando Cristina refere que "há pessoas que dizem que Maria Vieira está a ser manipulada pelo marido", e que "é ele que escreve na sua página do Facebook". Aqui não me cabe comentar nada. É óbvio que se passa qualquer coisa de bastante grave na casa deste casal. Isto é um assunto para as autoridades tratarem, e só espero muito sinceramente que não seja quando for tarde demais. Até porque...


Aos 13:15, Cristina Ferreira lê o prefácio, assumidamente da autoria do marido de Maria Vieira. Fernando Duarte Rocha, que foi também autor na íntegra (nesse tempo mais ou menos assumidamente) dos quatro livros de viagens da "Parrachita", nom de guerre de Maria Vieira. Fernando Duarte Rocha chama de "filhos da puta" e "coirões" às pessoas que diz "perseguirem-no, mais à mulher". Isto num livro onde supostamente a polémica tenta ser a mínima possível, e a pessoa que leva com a autora do mesmo anda neste momento pelo país a distribuir autógrafos às (poucas) pessoas que ocorrem à promoção dos livros, e ainda chama "queridos" e "meus amores" a toda a gente. Maria Vieira defende-se dizendo que "o marido é ainda mais frontal que ela". Ora, "frontal" aqui é um eufemismo para "ordinário", que é algo que a actriz não consegue ser, porque não fez nem faz parte do seu carácter, pronto. E já agora, sendo o sr. Fernando Duarte Rocha um "escritor" - pelo menos esta é a profissão que ele alega ter - porque não tem ele uma conta de Facebook? Parece-me muito estranho. Tem pois, mas é em nome da mulher que o tem sustentado nos últimos 30 anos, e com quem só casou em 2011 para poder obter facilidades no visto para o Brasil, onde Maria Vieira trabalhou em três ocasiões entre 2009 e o ano passado. Outra polémica: 


Por volta dos 19 minutos, Maria Vieira tenta explicar o facto de ter considerado o presidente Marcelo Rebelo de Sousa como "o pior presidente que Portugal conheceu" - mais um devaneio do seu marido, como é lógico. Maria Vieira defendeu-se dizendo que "aprecia Marcelo Rebelo de Sousa", que "considera o presidente dos afectos", mas que "é preciso ser mais interventivo". Ó minha cara, isso fica muito longe daquilo que o seu marido faz na sua página, onde chama o presidente e o primeiro-ministro António Costa de "Sr. Feliz e Sr. Contente", sugerindo que se trata de dois patetas, que "levam o país para o abismo". Nem me vou dar ao trabalho de repetir aquilo que tenho dito neste blogue a este respeito, e sempre suportado por provas. É só procurarem. E querem mais uma?


Aqui está. Dez dias depois da entrevista a Cristina Ferreira, mais um delírio que prova que Maria Vieira não tem controlo sobre a sua página do Facebook, do seu marido, de nada. Insinua-se que a RTP (que tem sido um dos alvos preferenciais de "Maria Vieira") passa filmes indianos "para agradar a António Costa", e que a televisão pública não deve transmitir programação que seja do agrado "de imigrantes e de muçulmanos". Quem tiver uma interpretação diversa, é mais que bem vindo a expô-la nos comentários. Isto tem sido assim há mais três anos, e vem subindo de intensidade. 

Eu não tenho "problema" nenhum com a Maria Vieira, ou com aquilo que aparece escrito na sua página, mas é mais que evidente que não bate a bota com a perdigota. Admirei a coragem de Cristina Ferreira naquela entrevista, onde tocou nos pontos essenciais, e onde foi possível ver que Maria Vieira está longe de conseguir controlar a situação. Quem apoia uma coisa destas só pode ser uma pessoa mal formada e desonesta. Quem encoraja arrisca-se a ser cúmplice de uma possível tragédia.


Recuerdos: Logroño


Logroño é a capital da comunidade autónoma de La Rioja, a mais pequena em área das 17 que compõem o reino de Espanha. São pouco menos de 200 mil habitantes numa cidade cuja economia depende quase inteiramente do turismo e da produção vinícola, situada na região demarcada com o mesmo nome da comunidade. Quando lá estive fui comprar alguns exemplares do seu magnífico vinho, e curiosamente o senhor que mos vendeu referiu que "há muitos chineses na Rioja", e que estão ali "a estudar enologia". A China marca a sua presença no Ocidente pelo bem, e ao que parece está a fazer bem o seu trabalho de casa.



Regalos: Queijo cacerenho


Da região de origem protegida de Cáceres, comunidade autónoma da Extremadura. As comparações com o nosso queijo da serra não são despeciendas - é uma delícia!



A lógica do batatinha


Suponho que alguns se recordarão deste cromo, um tal Pedro Cosme Vieira, professor de Economia da Universidade do Porto, que há um par de anos foi notícia ao defender que "a pretalhada que atravessa o Mediterrâneo devia ser abatida a tiro", e ainda defendeu que a SIDA "seria eliminada da face da Terra" se fosse feito "o abate sanitário de todos os infectados" com a doença. Com o fascínio que tem pelos abates, se calhar o senhor devia estar antes a trabalhar num matadouro. Ora bem, o Cosme Vieira tem um blogue, que dá pelo nome de "Alcoólico Bagaceiro" "Económico Financeiro", onde se revela que não está de longe nada arrependido, e que continua em grande forma.


Em termos de coerência é que o rapaz não vale grande coisa. Ora no artigo do i de há dois "assume-se como um racista", ora agora vem dizer que isso de catalogar as pessoas como racistas e xenófobos "é obra de esquerdistas", e que ele "é uma vítima". Buh uh uh, coitadinho...e afinal no que é que ficamos, ó camarada? O artigo em questão, publicado na última terça-feira no seu blogue, aborda a limpeza étnica que tem sido feito na Birmânia à minoria muçulmana dos rohingya, mas isso é de somenos. Vejamos outras considerações interessante que o sotôr faz em relação ao fenómeno do "racismo".



O Pedro Cosme Vieira pode pensar que os ciganos "são todos uns porcos", mas se venderem uma camisa cinco cêntimos mais barata que um branco que venda a mesma camisa, ele compra-a ao cigano. É preciso não esquecer que o rapaz é economista - ou será antes económico. Por esta mesma lógica, entre uma roulotte de cachorros-quentes onde um gajo com umas unhas cheias de bedum e ranho a pingar do nariz que venda os cachorros a um euro, e outra ao lado mais ou menos limpinha que os venda por dois euros, o Cosme Vieira opta pela primeira. Passemos a outro raciocínio bestial urdido pela criatura.


Ora aqui está. Além de racista (ou será "invenção da esquerda"?), Cosme Vieira assume-se ainda como islamófobo, e considera que "os islâmicos são potencialmente terroristas e um perigo para a segurança dos europeus". Todos? Eles não diz ali isso, mas por "os islâmicos" assumimos que sim, todos. Todos menos a empregada dele, que ele conhece, e é de acordo com os seus parâmetros "uma pessoa de confiança". Eu também podia dizer que para mim toda a gente que conheço, família, amigos, colegas de trabalho e etcetera são pessoas acima de qualquer suspeita - porque os conheço - e o resto de mundo é escumalha a abater, ou que só estava bem atrás das grades. Mas não me apetece. Assim sendo, parece que a única forma do Pedro Cosme Vieira curar-se da sua islamófobia é conhecendo pessoalmente cada um dos mais de mil milhões de muçulmanos do planeta. Eu acho que isso dá muito trabalho, e por isso talvez fosse mais fácil proceder ao abate sanitário do Pedro Cosme Vieira.

O Pedro Cosme Vieira tem direito às suas opiniões, e eu tenho direito às minhas. Ele tem direito a opinar sobre os outros, e eu a opinar sobre ele. Tenho dito.


Macau, último Hato


Para arrancar o fim-de-semana em beleza, nada como o artigo de quinta-feira do Hoje Macau. Obrigado por irem ficando deste lado.

I

Tive a sorte de não ter estado por Macau por altura do tufão Hato, no último dia 23 de Agosto, mas segui atenciosamente as notícias que vinham chegando, principalmente através da partilha dos (muitos) amigos do território nas redes sociais. Este não foi um tufão qualquer, quer em termos de intensidade, quer no que diz respeito às consequências, que em ambos os casos foram devastadoras. É – ou seria – impensável que numa cidade como esta tenham havido vítimas mortais a lamentar, cortes prolongados de energia eléctrica e no fornecimento de água potável, lixo espalhado pelas ruas, e cidadãos que acabaram a lamentar perdas materiais significativas. Chegamos à conclusão que Macau é uma cidade com dinheiro, mas está longe de ser uma cidade rica. O Hato não veio mais do que evidenciar as carências, mostrar que afinal estava tudo preso por fios, e de regresso das abençoadas férias que me fizeram escapar a este suplício, encontrei não só placares caídos e palmeiras desnudas. Dei também com uma população desencantada, desiludida, mas quem sabe com uma lição aprendida. Dos habituais predadores da desgraça alheia, que não se inibiram em inflacionar os bens de primeira necessidade, notaram-se rasgos de solidariedade, de auto-ajuda e de comunhão, próprios da dor que sente uma família unida em situações de desespero e impotência. Vamos ficar a desejar que renasça agora das ruínas do Hato uma nova Macau, que se não ficar consciente de mais nada, que seja apenas das suas fragilidades.

II

Pouco mais de uma semana depois da tragédia, e com a população ainda mal recomposta, arrancou a campanha eleitoral para as eleições que vão eleger 14 deputados para a Assembleia Legislativa pela via directa, através do voto popular. São 14 lugares de um total de 33, o que ao contrário de outras juridisções dão a estas legislativas um ar de somenos importância. Mas nem por isso a luta é menos feroz, e assim temos 24 listas, entre as habituais e as novidades, algumas bem coloridas, a batalharem durante 15 dias para convencer o eleitorado a confiar-lhes um lugar no hemiciclo. Não têm faltado os habituais golpes baixos, truques de manga, rumores de conveniência, e este ano tivemos inclusivamente um conhecido deputado a “ser atacado por uma vaca” (imagem deliciosa esta, muito bem esgalhada, e parabéns ao autor). Não faltam ainda as habituações acusações da prática de irregularidades por parte de algumas listas, com a Comissão Eleitoral a voltar a não demonstrar um critério uniforme quanto à actuação em alguns casos, e como não podia deixar de ser, paira no ar o fantasma da corrupção eleitoral, vulgo “compra de votos”. Aqui não entendo a razão de não se informar melhor o eleitorado em relação a um aspecto: o voto é secreto, e não existe forma alguma de saber em quem se votou. Por incrível que pareça, há quem ainda acredite que existe uma forma, mesmo que indirecta, de se saber aquilo que se colocou dentro da urna. Para a semana cá estarei para fazer a análise dos resultados.



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Cromos da campanha - parte II


Sze Guevara e os seus mosqueteiros.


Elle e Ella



Violeta violenta.


Deixai vir a mim as criancinhas...e os velhinhos.


É a caixeirinha, é a caixeirinha, a das pernas gordas.


Já sabem quem eu sou, portanto, "no vote, no bonus".


Uma casa-de-banho em Doha, Qatar


Tive uma experiência deveras interessante no aeroporto do Qatar, enquanto viajava de Madrid a Macau, via Hong Kong. Como precisei de secar aqui seis horas à espera do voo para HK, é mais que natural que tivesse que usar os lavabos para fazer um no. 2 - até aqui tudo normal. Só que depois, terminado o serviço, abro a porta e deparo com um jovem de aparência indiana, fato e luvas pretas mesmo à minha frente, como se tivesse estado à espera, a fazer uma posição de reverência e a indicar-me o sítio onde fica o lavatório. Aí fica do meu lado segurando duas toalhas de papel, que me passa logo que termino de lavar as mãos. Se eu soubesse que era assim, deixava-o entrar na privada, e podia ser que me ajudasse a limpar também o...na, esqueçam. Não o deixava entrar coisa nenhuma. Isso seria passar do estranhamente luxuoso ao demasiado exótico.


Recuerdos: o dia que encontrámos Xabi Alonso


Foi no dia 1 de Setembro à noite, enquanto passeávamos na Plaza de la Constituicón, em Donostia (San Sebastián), que a certo ponto reparo que ao meu lado estava...Xabi Alonso. Isso mesmo, não "parecia" o médio-centro duas vezes campeão europeu, e uma vez campeão mundial pela selecção espanhola, que representou o Liverpool, o Real Madrid e o Bayern de Munique, até se retirar das competições oficiais em Maio deste ano - ela ele mesmo, sem margem para dúvidas! Depois de o reconhecer, pedi-lhe se podia tirar uma foto com o meu filho, e ele respondeu que "sim, claro". Perguntou-nos "se éramos brasileiros ou portugueses", ao que respondemos que éramos de Portugal, e que no dia anterior tinhamos visitado a sua cidade natal Tolosa, no País Basco. Foi um indivíduo que demonstrou um carácter humilde e amigável, para quem foi considerado o melhor médio-centro passador do século XXI. Obrigado, Xavi.


Regalos: vodka basco


Um vodka destilado (cinco vezes) da batata, ligeiramente mais forte que o vodka original (41,5º). Um produto da Basque Moonshiners.


Honra ao Minho na Liga Europa



O Sp. Braga supreendeu na sua estreia do Grupo C da Liga Europa, ao ir vencer ao terreno do Hoffenheim por duas bolas a uma, naquela que foi a primeira vitória dos minhotos em terras alemãs. A equipa da casa era amplamente favorita, vinda de um 4º lugar na edição do ano passado da Bundesliga, recentemente eliminada pelo Liverpool no "play-off" da Liga dos Campeões, e ainda mais impressionante, de uma vitória no último fim-de-semana contra o Bayern de Munique para o campeonato. E tudo corria de feição para os germânicos, quando aos 24 minutos o internacional alemão Sandro Wagner inaugurou o marcador, acentuando a ideia de que o Braga ia ser um adversário acessível, mas a equipa portuguesa teve do seu lado a "estrelinha" da sorte, e conseguiu empatar em cima do intervalo por intermédio de João Carlos Teixeira. Se o empate já era um resultado positivo, os minhotos fizeram ainda melhor, quando aos cinco da etapa complementar o avançado brasileiro Dyego Sousa colocou os "gverreiros" em vantagem. O Hoffenheim acusou a sua inexperiência nestes palcos - é a primeira vez que participam de uma competição europeia - e não conseguiu encontrar soluções para reverter o rumo dos acontecimentos. Excelente vitória da equipa de Abel Ferreira, que já lidera o grupo, em virtude do empate na outra partida entre turcos do Istanbul Basaksehir e dos búlgaros do Ludgorets. Parabéns ao Sp. Braga.


Sorte diferente teve o V. Guimarães no Grupo I. A equipa de Pedro Martins não foi além de um empate em casa frente aos austríacos do Red Bull Salzburg. A principal curiosidade deste encontro residiu no facto dos vimarenenses terem alinhado com um onze inicial de onde não constou um único jogador europeu: quatro brasileiros, dois colombianos, um venezuelano, um uruguaio, um colombiano, um ganês e um marfinense. O português Kiko entrou na segunda parte. Não é a primeira vez que tal acontece numa prova europeia, pois já na época de 2004/2005 os belgas do SK Beveren alinharam com uma equipa inteiramente composta de jogadores originários da Costa do Marfim. Na outra partida do Grupo I o Marselha venceu em casa por 1-0 os turcos do Konyaspor.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coutinho mais Valente


A TDM transmitiu esta noite o debate entre os únicos dois candidatos às eleições que falam português que se dispuseram a participar. De um lado o deputado José Pereira Coutinho, da Nova Esperança, do outro o candidato nº 3 da lista 18, Jorge Valente, filho do advogado e também ele ex-deputado Jorge Neto Valente. O debate foi moderado, como é costume, pelo jornalista Gilberto Lopes.

Comecemos pelo fim do debate, bem ilustrativo de como decorreu no seu geral. Jorge Valente insistiu no facto de Pereira Coutinho "não saber negociar" com os seus parceiros na AL, e de "não ter visto nenhum dos projectos que apresentou ser aprovado". Coutinho retaliou de imediato: "Se eu for votar na sua lista, não estou a votar em si, mas na senhora Melinda Chan (candidata nº 1 da lista 18 e actual deputada), e quantos projectos apresentou ela?". Seguiu-se um silêncio desconfortável de dois ou três segundos, com Valente a responder "ajudou na elaboração de alguns" - claro, como membro das comissões, que é no fundo o trabalho de qualquer deputado. Foi uma espécie de xeque-mate neste debate, onde Pereira Coutinho evidenciou o peso da sua experiência na arena política, perante um estreante nestas andanças.

Outro erro de palmatória da parte de Jorge Valente foi referir as diferenças entre o programa político de Pereira Coutinho nas diferentes línguas oficiais, alegando que o deputado "não tem um programa, mas dois", um para a comunidade portuguesa e macaense, e outro para a comunidade chinesa. Coutinho respondeu prontamente, defendendo que "as comunidades têm diferentes necessidades". E é mentira? Aqui o presidente da ATFPM ganha pontos a seu favor, pois é o único que fala directamente à comunidade portuguesa, e ainda ganha votos dos eleitores chineses. Jorge Valente passou grande parte do debate a montar armadilhas onde ele próprio acabou por cair.

Não quero dizer com isto que Pereira Coutinho "ganhou" o debate. Não havia aqui nada a "ganhar", como ficou aliás demonstrado em debates anteriores, nomeadamente há oito anos quando o mesmo Pereira Coutinho esgrimiu argumentos com Casemiro Pinto em votos dos eleitores macaenses e portugueses "indecisos". Ora já ficámos a saber que isto vale pouco mais de 500 votos, na melhor das hipóteses. Coutinho sabe quanto isso vale, e questionou a possibilidade de ele próprio vir a ser eleito. Ora aqui trata-se de um exagero do sr. deputado, que tem uma base mais que suficiente para ser eleito. A dúvida reside em saber se desta vez será acompanhado pelo seu nº 2, Leong Veng Chai, e a propósito desse aspecto Coutinho falou do excessivo número de listas a sufrágio no próximo Domingo, e de como isso pode significar uma "dispersão dos votos". Concordo com ele, e atendendo ao facto de que Leong Veng Chai foi eleito por 16 votos em 2013, prevejo que desta vez não consiga entrar. Posso estar enganado.

De resto falou-se da influência dos deputados do sector do jogo na AL, uma farpa que Coutinho atirou ao seu oponente, que representa uma lista indirectamente ligada a esse sector, e vieram à baila outros detalhes de somenos importância. Fiquei a saber que os dois se conhecem muito bem e têm uma relação de amizade, e isto deve-se sobretudo ao passado de Jorge Valente como membro da ATFPM - surprise, surprise. Isto não significa que o jovem tenha alguma dívida com a associação ou com Pereira Coutinho, mas apenas que essa adesão terá feito parte da sua formação política, que, e repito, comparada com o seu adversário desta noite, fica muito, mas mesmo muito longe. A experiência falou mais alto desta vez. Domingo logo se vê, mas não acredito que o resultado deste debate vá significar alguma coisa em matéria de intenções de votos; estas estão mais que definidas. Coutinho fará parte do próximo hemiciclo, bem como Melinda Chan, e Neto Valente fica a ganhar em experiência.


Yo soy aquel negrito



Tenho que agradecer em primeiro lugar ao meu amigo Curro Higuero, que através de outro comentário que me fez chegar a este autêntico "tesourinho" do passado. É um anúncio espanhol "vintage" da bebida Cola Cao, "lo desayuno e la merienda ideal", que certamente à luz dos parâmetros actuais, seria considerado "politicamente incorrecto" - e aqui está uma definição apropriada do politicamente correcto, ó vocês que baralham tudo. Uma canção que entra no ouvido, com um desenho animado bem produzido e engraçado, que me deixou até com vontade de beber um Cola Cao (terão anúncios de vodka destes? eh eh eh...). Perdoem-me o ataque de nostalgia, mas já não se fazem mais anúncios destes hoje em dia.


Banho turco no Dragão



O FC Porto foi supreendido pelos turcos do Besiktas na jornada de abertura do Grupo G da Liga dos Campeões, ao perder por três bolas a uma no Estádio do Dragão. Foi "surpresa" atendendo aos pergaminhos europeus - ou à falta deles - dos campeões da Turquia, mas o seu plantel está recheado de nomes como Adriano (ex-Barcelona), Ryan Babel (ex-Liverpool), os nossos conhecidos Pepe e Ricardo Quaresma, internacionais, ou ainda o brasileiro Talisca, ex-Benfica. E foi exactamente Talisca que inaugurou o marcador logo aos 13 minutos, a cruzamento de Quaresma. Um golo que surgiu contra a corrente do jogo, pois o Porto assumiu as despesas do ataque desde o primeiro minuto. A equipa de Sérgio Conceição conseguiu empatar aos 21 minutos através de um autogolo do central sérvio Tosic, mas o Besiktas voltou a marcar aos 28 com um grande remate do internacional turco Cenk Tosun. Os visitantes tinham por esta altura 100% de eficácia; duas oportunidades, dois golos marcados. As coisas começaram a complicar-se para o Porto, que sentiu a ausência do avançado camaronês Aboubakar, a cumprir um jogo de suspensão relativo à época passada, onde curiosamente representou o Besiktas. A equipa portuguesa teve mais posse de bola e rematou mais à baliza do espanhol Fabri, mas os deuses da fortuna sorriam ao adversário, que ainda marcou um terceiro golo por Babel, assistido por outro grande nome da equipa do Besiktas, o espanhol Álvaro Negredo. Com esta derrota o Porto cai para o último lugar do seu grupo, pois na Alemanha os estreantes RB Leipzig e o Monaco empataram a um golo, e dividiram os pontos.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cromos da campanha - parte I


Ora digam lá se não sou um gajo mesmo jeitoso?


Não prometemos concordância nas frases em língua portuguesa.


...e quantos dias de atestado é que você quer, afinal?


Fomos comprar uma "pearl", mas ficamos a olhar para o "horizon".


Contra os espaços de lazer, marchar, marchar!


Os jovens têm medo de casar, não por causa da sogra, mas pelo preço da habitação!


Faça chuva ou faça sol, um inveterado sonhador.